Entendo que muitas vezes ambos estão entrenhados na nossa essência.
Pague-me as contas mas não apague meus gritos nem cale meus sussurros, meu insulto aos opostos!
Não descrevo a doçura das palavras temperadas, mas sim o destempero, a desestrutura.
Não eu não quero a calmaria de bons temperamentos em mim.
É a paixão pela autenticidade que me prende a esses frascos, a temperada, morna e equilibrada emoção, pouco toca, pouco desenvolve e pouco muito pouco move.
São nos gritos que moram o peso de algumas palavras, a força de alguns guerreiros e o direito de alguns gigantes.
São nos sussurros apaixonados que se ganha tempo, ousadia e delicadeza.
Não meu tempo, não me faça comum de temperamento domável, mas indomável mesmo que doce.
Tocável mesmo que selvagem e pura mesmo que a loucura tente diluir minha autenticidade.
Que eu saiba reconhecer sinceridade, amor e verdade mesmo que seja vendo o oposto.
Não me escondo atrás de nada, eu de cara lavada entre gritos e sussurros construindo uma verdade que é tão minha que para os outros torna-se enigma.


